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DATA: 17/05/2013

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“Geração de emprego não pode ser vista como indicador de redução da pobreza”

 

- Considera o economista e assistente de investigação do IESE, Yasfir Ibraimo, que critica a forma “simplista e automática” como o Governo, através do Plano de Acção para Redução da Pobreza (PARP 2011/2014), define o emprego.

 

Maputo (Canalmoz) – O Governo, através do famoso Plano de Acção para Redução da Pobreza (PARP 2011/2014), definiu como objectivo principal a alcançar um crescimento económico inclusivo e uma redução do índice da pobreza alimentar e vulnerabilidade em Moçambique. Assim, a promoção do emprego (precários ou não) foi equacionada como mecanismo a atingir a pobreza alimentar, numa relação directa entre emprego e pobreza.

O economista e assistente de investigação do IESE, Yasfir Ibraimo, considera a abordagem do Governo bastante “simplista” porque não olha para as condições e sustentabilidade dos próprios empregos. Aliás, o Governo – refere o economista num texto intitulado “reflexões sobre emprego e redução da pobreza no PARP ” – chega a tomar o auto emprego como substituto do emprego formal assalariado. A maior parte dos chamados empregos no PARP são temporários em obras públicas (construção).

O economista não tem dúvidas que a geração do emprego é um meio importante para a distribuição de rendimentos na economia, mas na sua óptica não é “automático e simplista”. Diz que a relação directa feita pelo Governo através do PARP, para além de não permitir tratar as questões de forma rigorosa e sistemática tem implicações nas opções políticas. Por exemplo, no caso específico do PARP, refere o economista, uma das opções políticas para estimular o emprego é a liberalização das condições de emprego, sendo para autor questionável se a liberalização das condições de trabalho geram realmente emprego. Assim sendo conclui o economista que a geração de emprego numa economia não pode ser vista como indicador de redução da pobreza ou melhoria do padrão de vida das pessoas, pois argumenta o investigador do IESE que evidências existem que mostram que “há pessoas mesmo com emprego e que vivem abaixo da linha da pobreza”.

Para o economista a ligação entre o emprego e a redução da pobreza não depende apenas do emprego, mas também da articulação de factores como estrutura produtiva da economia, condições de trabalho e produtividade das empresas. “A criação de emprego não pode ser vista como uma meta meramente quantitativa e isolada do resto da economia, porque não é o emprego em si que reduz a pobreza”, diz no seu artigo.

O economista defende que o crescimento do emprego deve ser acompanhado não apenas pelo aumento da produtividade, mas também pelo crescimento dos ganhos do trabalho, até porque alerta, de contrário, o crescimento do emprego pode levar ao crescimento do número de trabalhadores pobres. (Matias Guente)