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DATA: 17/05/2013 |
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Fonte: BCI - 07h13
Artigos de 2012
Num debate sobre 25 de Setembro
General Hama Thai diz que não era possível independência de Moçambique sem guerra
Maputo (Canalmoz) – O antigo chefe do Estado-Maior das Forças Populares de Libertação de Moçambique (FAM/FPLM), e ex-ministro da Defesa, o general António Hama Thai, disse que a independência de Moçambique não seria possível, não fosse a via armada.
Disse que não estava nos planos de Portugal abandonar o país. A moda “brasileira” queria que fossem os portugueses a residir nas colónias a proclamar as independências.
Segundo o general, o primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, escreveu várias vezes a António Salazar, presidente de Portugal na altura, a exigir a retirada dos portugueses em Moçambique, mas este sempre respondeu que o território moçambicano, era uma província ultramarina de Portugal. Hama Thai, falava esta segunda-feira em Maputo, numa palestra dirigida aos quadros da Autoridade Tributária, no âmbito das celebrações do 25 de Setembro na próxima semana.
“É mentira sem guerra estaria independente. Não estávamos num plano inclinado que a qualquer momento podíamos deslizar para a independência. Era preciso pegar em armas para expulsar o colono. Eles já chegaram a nos chamar de terroristas. O golpe de Estado em 1974, é consequência nas colónias portuguesas. Estava claro em todo mundo que era necessário Portugal abandonar as colónias. Portugal fez tábua rasa”, disse Hama Thai, contrariando as correntes de opinião que defendem que mesmo sem a guerra, até esta altura o colonialismo português por si só teria abandonado o país.
Segundo o general, estas correntes, reflectem a fraqueza histórica. “A Frelimo cria ódio em algumas pessoas. Em Moçambique temos uma história rara que é original. Podemos provar que Eduardo Mondlane e Samora Machel são moçambicanos. Esta história mete inveja para algumas pessoas”, disse sublinhando que houve muita gente presa e morta pela temida PIDE-DGS.
As causas da derrota colonial segundo o general
De acordo com general Hama Thai, quatro factores concorreram para a derrota do colonialismo, português durante os 10 anos de luta de libertação nacional. As limitações dos efectivos militares; O descontentamento dos portugueses na metrópole; A sabotagem de alguns generais que descarregavam material bélico nas matas e golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Portugal.
Para o antigo ministro dos Combatentes, a vitória do partido no poder sobre Portugal na luta de libertação foi conseguida porque Portugal começou a ter limitações de recrutamento de soldados para suportar o seu exército. Hama Thai disse que Portugal tinha no início da luta uma população de cerca de 9 milhões de habitantes.
Citando os manuais de estratégias militares, disse que o recrutamento para o exército só pode ir até 10 por cento da população portuguesa. Isto equivale a dizer que no caso concreto de Portugal, seria necessários perto de 900 mil de soldados.
Segundo o ex-vice-ministro da defesa nacional, Portugal, travava a guerra em simultânea, isto é, em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. Deveria mandar cerca de 900 mil soldados nos três países. Moçambique, teria perto de 300 mil soldados. Com este número, Portugal não seria capaz de suportar 10 anos de guerra.
Segundo Thai, devido a essas limitações, generais como Khaulza da Arriaga começaram a recrutar nas próprias colónias. Mas, esses soldados recrutados localmente não podiam oferecer tanta confiança como os recrutados em Portugal.
A segunda causa que ditou a derrota é o facto de a população portuguesa não apoiar a guerra. Em Portugal, havia um sentimento generalizado de repúdio de guerra e vários círculos de opinião aconselhava ao fim do conflito.
O terceiro factor é a frustração dos generais. Segundo Hama Thai, em Moçambique, houve casos de generais que, ao invés de mandar o material bélico ao exército colonial, deitavam no mato.
A quarta e a última causa, foi o avanço da Frelimo a partir de Cabo Delgado para o sul. O exército português estremeceu precipitando ao golpe de Estado a 25 de Abril de 1974 em Portugal. (Cláudio Saúte)

Jornal Semanário Nº 200 - 15/05/2013
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