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DATA: 21/05/2013 |
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Fonte: BCI - 07h13
Artigos de 2012
A coragem compensa
Mais uma denúncia de trabalhadores faz cair dirigentes corruptos
Delegado do ICS, na província de Maputo, e seu chefe das Finanças estão suspensos das funções…
Maputo (Canalmoz) – Num país onde é hábito ter dirigentes corruptos e impunes, denunciar tais práticas publicamente por via da Imprensa tem sido a solução encontrada pelos funcionários de certos departamentos do Estado e de empresas públicas. Quando a sujeira torna-se público, o sistema é obrigado a adir.
Assim foi no caso do ex-Presidente de Conselho da Administração dos Aeroportos de Moçambique, Diodino Cambaza, que depois da denúncia pública dos trabalhadores acabou destituído do cargo, julgado e condenado à pena de prisão, ele e a sua cúpula. Igual destino teve o ex-juiz Presidente do Conselho Constitucional, Luís Mondlane, que apesar de não ter sido julgado, resignou do cargo e foi processado judicialmente, depois que os seus gastos exorbitantes no CC foram tornados públicos, também por via de denúncia dos trabalhadores. Agora é no Instituto de Comunicação Social (ICS), delegação de Maputo. O delegado e o seu chefe das Finanças estão suspensos depois que os trabalhadores da instituição decidiram denunciar publicamente os “actos corruptos” dos dirigentes.
A directora-geral do Instituto de Comunicação Social (ICS), Sofia Ibrahimo, acaba de ceder a pressão dos trabalhadores e jornalistas daquela instituição a nível da província de Maputo, que pediam o afastamento do respectivo delegado e o chefe da Repartição de Finanças devido a várias irregularidades e gestão danosa, o mais rapidamente possível até dia 11 deste mês de Setembro.
Com efeito, Sofia Ibrahimo afastou semana passada Lucas Sitói, do cargo de delegado provincial do ISC, na província de Maputo, e Sérgio Dique, da Repartição das Finanças, dando provimento a contestação dos trabalhadores que já tinha dado entrada na Procuradoria Provincial de Maputo, no gabinete da governadora, Maria Jonas, e na Direcção Provincial do Plano e Finanças.
O Canalmoz sabe que nesta quinta-feira, Sofia Ibrahimo desloca-se à província de Maputo, concretamente à delegação do ICS, para reunir-se com os trabalhadores da instituição.
Na semana passada, a directora-geral do ICS havia confirmado por escrito a suspensão de Sérgio Dique, das funções de chefe da Repartição da Administração e Finanças na Delegação Provincial de Maputo do ICS. Já nesta segunda-feira uma outra nota dava conta de que Lucas Sitói já não é mais delegado provincial da instituição.
Segundo informações disponíveis, depois do seu afastamento o chefe da Repartição das Finanças do ICS, na província de Maputo, levou consigo os livros de cheques e o computador da repartição. Enquanto isso, depois de saber da medida na última segunda-feira, o ex-delegado ainda não devolveu a viatura HILUX.
Na verdade, em carta datada de 04 de Setembro corrente e dirigida para a pessoa da directora-geral do Instituto de Comunicação, os funcionários da Delegação da Província de Maputo denunciavam o delegado Lucas Sitói de ser o mentor da paralisação de actividades na instituição, afastamento de funcionários sem justa causa, desvio de fundos, humilhação, abuso de poder, uso abusivo de meios e recursos do ISC, entre outras denúncias.
Na carta que a Reportagem do Canalmoz teve acesso, os trabalhadores chamavam a atenção à direcção-geral do ICS, pelo facto de, segundo as suas palavras, “ter andado a ignorar as denúncias”.
“A nossa primeira comunicação sobre a situação que se vive no ICS foi ignorada pela direcção-geral da instituição, deitando por terra todo o nosso esforço no sentido de melhorar as condições de trabalho. As coisas por aqui vão de mal a pior, e não se vislumbra nenhuma melhoria”, denunciavam os trabalhadores.
“Estamos todos estagnados sem horizonte, reféns do delegado e do chefe de Administração e Finanças. Entretanto a Sra. Directora tem vários elementos e factos suficientes para tomar medidas, mas notamos que falta vontade de nos libertar desse martírio”, acrescentavam.
Num outro desenvolvimento da missiva, os trabalhadores da Delegação Provincial do ICS na província de Maputo diziam que “ é neste contexto que os funcionários do ICS-DPM decidiram por unanimidade levar o caso à Procuradoria-Geral da República na Província de Maputo e tornar pública toda a informação em nosso poder através de alguns órgãos de informação, porque estamos cansados de assistir a instituição a ser arruinada e nós a sermos espezinhados”.
Outras denúncias agora começam a surgir da sub-Delegação do ICS, no distrito de Moamba, ainda na província de Maputo, onde o ex-chefe da Repartição da Administração e Finanças na Delegação Provincial requisitou e foi dado primeiro 50 mil meticais no mês de Agosto, mas recentemente, há duas semanas, 45 mil meticais, totalizando 95 mil meticais.
O pretexto usado foi de que o dinheiro seria utilizado para o pagamento da impressão de uma publicação do ICS que se projectou a ser quinzenal e chamar-se de “KaMaputso”.
O que se sabe é que a publicação apenas teve o número zero no início do corrente ano e nunca mais veio a público.
Os problemas vieram à superfície quando alguns funcionários foram suspensos do trabalho “sem justa causa e nomeados outros para alguns cargos, alguns deles com processos criminais e em liberdade condicional que não permite exercer funções”.
Consta, segundo apurou a Reportagem do Canalmoz dos trabalhadores, do próximo ex-delegado Lucas Sitói e de fontes da Direcção Provincial do Plano e Finanças de Maputo que o ISC naquela província tinha sido alvo de duas auditorias, cujos resultados e recomendações estão “adormecidos” nalguns gabinetes da província.
O Canalmoz procurou ouvir Lucas Sitói na semana passada, momentos antes do seu afastamento do cargo, sobre as alegações que pesam sobre si. Apenas contornou a conversa dizendo que “conheço os que andam a fazer essa campanha”.
“Conheço quem está por detrás dessa campanha. São uns bêbados que nós tomamos medidas. Não houve nada do que eles escreveram na carta que também eu tenho”, disse Lucas Sitói, que se encontrava à frente do ICS a quase dois anos. (Bernardo Álvaro)

Jornal Semanário Nº 200 - 15/05/2013
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