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Cidade de Nampula

Obras de construção da estátua de Samora estão paradas

 

A praça onde deve ser erguida a estátua está votada ao abandono total

 

Nampula (Canalmoz) – A praça onde vai ficar patente a estátua de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique após a independência, encontra-se praticamente abandonada, e as autoridades locais nada falam sobre o futuro daquele espaço. Trata-se da Praça da Liberdade, uma rotunda no entroncamento das avenidas Samora Machel, Paulo Samuel Kankhomba e Continuadores. Entretanto o local está vedado há mais de dois anos prejudicando a estética da cidade.

No interior da praça cresce capim, e soube a nossa reportagem que está lá um busto de Samora Machel, enrolado dentro de um manto vermelho, a cor da Frelimo, partido de que Machel foi presidente, depois de sucessivamente ter sido guerrilheiro, comandante de unidades e secretário do Departamento e Defesa e Segurança da Frelimo.

A situação já não é do agrado dos munícipes locais que andam indignados. Acusam o partido no poder, a Frelimo, e o Governo de nada fazerem para dignificar Samora Machel, o primeiro estadista na história de Moçambique descolonizado, por um lado. Por outro, inquieta ainda os munícipes o facto de as autoridades governamentais locais, quer a municipal tanto o governo provincial, não aparecerem em público a explicar as motivações da não inauguração daquele monumento.

Os munícipes dizem que “as promessas de erguer estátuas de Samora em todas as capitais provinciais do país eram um show político”, porque “a Frelimo é assim quando quer tirar proveitos de uma situação”. “Aquilo não vai terminar agora”, concluem.

O lançamento da primeira pedra das obras que ainda estão em curso foi em pompa e circunstancia, tendo sido efectuado a 3 de Fevereiro de 2009, dia dos Heróis Nacionais, e as esperanças dos munícipes face a uma obra cuja conclusão estava prevista para dali a cerca de oito meses. Já lá vão mais de dois anos e ainda nem sinais há de que possa vir a ser concluída.

Paulo Gulamo, reside na cidade de Nampula, acredita que “isto é de má-fé, porque Samora nunca gostou de ser bajulado”. “Fica feio aos dirigentes brincar com memórias de pessoas que fizeram muito por este país”, conclui.

Num outro desenvolvimento, a mesma fonte avançou que “isto um dia vai acabar, e vai acabar mal, porque os jovens estão a ver estas coisas, os alunos também”. “Está a lhes ficar claro que os nossos dirigentes pouco valor real dão aos nossos heróis. O que fazem é propaganda política e mais nada”.

Na cidade de Nampula, tentámos, sem sucesso, colher alguma informação do Governo. A Direcção Provincial da Educação e Cultura, que superintende a área, nunca está disponível, pelo facto de a respectiva dirigente, Páscoa, estar sempre atarefada e quase que sempre viajando pelo distrito, onde ela é assistente política por parte do partido Frelimo. Usa o tempo do Estado para fazer política partidária.

Desde 2009 que foi lançada a campanha de construção das prometidas estátuas em homenagem a Samora, somente na capital da província de Gaza, Xai-Xai, é que a estátua foi concluída e inaugurada pelo chefe de Estado, Armando Guebuza. A mesma, contudo, pouco ou nada tem de parecido com a fisionomia de Samora Machel. (Aunício da Silva)