São cerca de cem quilómetros de Maputo para se chegar a Salamanga, distrito de Matutuine na zona mais meridional de Moçambique. Pela estrada nota-se que a província de Maputo, concretamente, a zona sul carece de investimento. A zona que compreende o distrito de Matutuíne até Salamanga é rica em termos de terra fértil para a produção agro-pecuária que não está a ser potenciada. Fomos ver uma terra que outrora produzia arroz que chegava até a abastecer Maputo. Falamos do tempo colonial.
São cerca de cem quilómetros de Maputo para se chegar a Salamanga, distrito de Matutuine na zona mais meridional de Moçambique. Pela estrada nota-se que a província de Maputo, concretamente, a zona sul carece de investimento. A zona que compreende o distrito de Matutuíne até Salamanga é rica em termos de terra fértil para a produção agro-pecuária que não está a ser potenciada. Fomos ver uma terra que outrora produzia arroz que chegava até a abastecer Maputo. Falamos do tempo colonial.

O rio Maputo que circunda a zona de Bela-Vista era tido como um grande irrigador e produzia-se muita comida o que hoje em dia não está a acontecer. A própria fábrica de descasque do arroz que empregava centenas de trabalhadores constituindo o alicerce para a sobrevivência de muitas famílias está reduzida num atêntico ?cemitério? razão para demonstrar que a terra fértil está ser subaproveitada. Isto é, ninguém se interessa por investir naquela região.

Das várias tentativas que fizemos para encontrarmos as autoridades locais com a finalidade de termos um dedo de conversa sobre o aproveitamento territorial redundaram num fracasso. Aliás, o desenvolvimento local, para o articulista desta peça, está adiado ou seja está marcado para uma agenda, aparentemente não planificada. São grandes áreas subaproveitadas. Os próprios residentes dependem mais do território sul-africano. O Rand é a moeda local e a língua comum também é o zulu. Os residentes locais não precisam de passaporte para irem ao país vizinho. Aliás porquê não dizer que Salamanga está anexado à Africa do Sul na razão de ter visto tanto desinteresse em que os governantes deste país aparentemente demonstram (?) pelo território: -Em Salamanga não temos bombas de combustível, não temos transportes públicos. Não temos emprego. Os veículos que circulam aqui são de matrícula estrangeira. Os elefantes apoquentam a população e ninguém faz nada para controlar esta situação.

Constou-me que não há autoridade administrativa em Salamanga, uma terra rica e sem ninguém para a explorar. Alguém chegou a dizer ao articulista deste texto que a terra onde era produzido o arroz no tempo colonial que hoje nada produz, actualmente, pertence ao actual chefe do Estado. Aliás pessoas de grande posse na esfera deste país têm grandes propriedades de terra naquela zona que não as aproveitam. Porquê privar a terra enquanto existem cidadãos que a querem para um melhor aproveitamento. Para criarem riqueza e darem postos de trabalho aos nativos que emigram para a África do Sul a procura de melhores condições (?). É naquela vasta mata de Salamanga onde se diz que constitui o refúgio de perigosos cadastrados. É em Salamanga onde os agentes policiais enriquecem aproveitando-se da ignorância dos campónios quanto às leis que regem este país.

Salamanga é mesmo distante para os próprios habitantes na razão de o vizinho mais próximo distar cerca de um a dois quilómetros. Salamanga terra rica e empobrecida. Em uma conversa com um agente da lei e ordem foi possível saber que apresentar-se como jornalista é considerado de bastante mau pelas autoridades. O Jornalista é visto como perturbador. O Jornalista é visto com um ?empata esquemas?. Este até pode ser eliminado. O articulista deste texto por tanta curiosidade que teve por querer conhecer com profundidade a vida sócio-política-cultural da zona chegou a ponto de ser questionado do tipo:- ?Quem és tu ? Cuidado... como é que você quer conhecer o Chefe do posto administrativo. De onde vens?? Assim considerei Salamanga um território anónimo. Territórrio de muito segredo. Onde a terra ainda tem muito que dar. Terra de calcário que produz o cimento de construção para a zona sul do país. Terra dos que não a deixam produzir.

(Alexandre Luís)