Maputo (Canal de Moçambique) - Nos últimos tempos viajar para os novos bairros de «CMC» e Gwava, arredores da cidade de Maputo é um autêntico martírio. A principal via que dá acesso aos dois locais a partir da Praça da Juventude, no prolongamento da avenida Julius Nyerere, mais concretamente, a avenida Coronel Sebastião Mabote está extremamente degradada. A estrada foi construída ás pressas e com péssima qualidade com o objectivo de reassentar as pessoas afectadas pelas obras da estrada nacional número quatro (Maputo/Witbank). As obras consistiram na colocação do asfalto sobre a areia. Não foram colocadas as habituais pedras que obras do género exigem. O perigo para os utentes daquela via tal como é o caso de inúmeras vias da cidade de Maputo em que apenas é recomendável circular em carros ?four by four? está sempre á espreita. Como que a justificar a degradação da via em tempo ?record? Mário Jorge Macaringue, Vereador das Infra-estruturas e Desenvolvimento no Município de Maputo, afirma que aquando da concepção da via: ?estimava-se que ela teria uma circulação rodoviária de cerca de quinhentos veículos por dia, dada baixa renda daquelas populações. Na altura muitos residentes daquele bairro não tinham carros próprios?.
?Hoje circulam naquela via por dia mais de vinte e quatro mil viaturas?, disse Macaringue ao «Canal de Moçambique».
A partir das 16.00horas, altura que por hábito os agentes da Polícia Camarária que controlam a circulação dos «chapas» retiram-se as transportadoras «semi-colectivas de passageiro» também deixam de chegarem àqueles dois bairros. Os utentes dos semi colectivos que pretendam deslocar-se para aqueles bairros suburbanos são obrigados a se fazerem transportar em carros de caixa aberta bastantes velhos e com pouca tonelagem em condições precárias e desumanas. Os utentes que usam aquela via ficam longas horas em filas indianas a espera dos carros de caixa aberta que os possam levar de volta para casa. O «Canal de Moçambique» presenciou ?In loco? na terminal da Praça dos Combatentes, uma grande concentração e agitação de passageiros em filas que atingiam cerca de cinquenta metros de comprimento, fazendo recordar os tempos dos autocarros ?Hungria? dos Transportes Públicos Urbanos (TPU). Os utentes confessaram ainda ao «Canal» que estão preocupados devido às condições em que viajam e pedem uma pronta intervenção por parte do Município de Maputo, porque segundo eles mais dia, menos dia o pior irá acontecer. Reportaram-se casos de passageiros que devido à insegurança nesses carros já foram projectados copiosamente para o chão. Manuel Matusse, um dos utentes que conversou com o «Canal» afirma viajar naqueles carros por falta de alternativa. ?Todos nós viajamos com o coração nas mãos, nunca sabemos o que vai acontecer?, afirma. O motorista de um dos carros de caixa aberta que se identificou apenas por Vasco, reconhece que conduzir naquela estrada é necessário ser um profundo conhecedor da via e explica que ?existem buracos que não são bem visíveis principalmente de noite, mas nós como conhecemos todos eles conseguimos nos sair bem?. Disse sublinhando que: ?temos conduzido com muita cautela para não levarmos a desgraça para as famílias?. Entretanto, segundo Macaringue prevê-se a reabilitação daquela via nos meados do próximo ano, entretanto escusou-se adiantar os valores envolvidos no aludido empreendimento que sempre ficou pela promessa, desde os tempos do anterior edil de Maputo, Artur Canana, ora falecido. (Jorge Matavel) |