Mputo (Canal de Moçambique) - A questão de atribuição de novos topónimos a ruas e avenidas da Cidade de Maputo continua a dividir as três bancadas da Assembleia Municipal (AM). A falta de consenso nos nomes propostos pelo Conselho Municipal, foi a nota dominante na XX Sessão Ordinária realizada ontem nos Paços do Município.
A bancada do «Juntos Pela Cidade» foi a primeira que pela voz do seu membro à Assembleia Municipal da Cidade de Maputo Carlos Tembe se manifestou contra um conjunto de nomes propostos pelo Conselho Municipal da urbe. Outros tantos nomes atribuídos a algumas ruas e avenidas na sequência da conquista da Independência Nacional estão igualmente na origem da discórdia dos membros da AM.
Segundo Tembe em entrevista ao «Canal de Moçambique» alguns nomes propostos estão desajustados do actual panorama político e social. No entender da nossa fonte “alguns nomes pouco ou nada fizeram para a conquista do que quer que seja para Moçambique”. Aquele membro da AM visivelmente agastado com a tendência de se atribuir nomes a ruas e avenidas de algumas figuras frisou que na sua opinião alguns desses nomes foram revelando uma outra face com o andar da carruagem. Assim, a fonte afirma que “devem ser substituídos, pois não faz sentido que nomes como Vladimir Lénine, e Mao Tse Tung continuem entre nós, na medida em que com o tempo estas figuras acabaram com a sua reputação suja”, disse Tembe acrescentando que alguns destes nomes mesmo nos países de origem foram retirados.
Um dos nomes que foi referenciado pela bancada «Juntos Pela Cidade» e pela Renamo, foi o de Robert Mugabe. É que no entender das duas bancadas a praça que se localiza ao lado da Escola Secundária Josina Machel que ostenta o nome do líder Zimbabweano deve passar a ter um outro nome, na medida em que “Mugabe já foi homem do povo, aquele que tirou o povo Zimbabweano do sofrimento e ajudou Moçambique, mas de algum tempo a esta parte transformou-se no símbolo da pobreza, do sofrimento do povo, por isso não podemos continuar a chamar uma praça tão importante com este nome. É urgente a modificação", disse Carlos Tembe para depois afirmar que o grande problema neste ponto dos topónimos é o facto de o “Conselho Municipal querer nos trazer nomes que não têm nada a ver com o povo. São nomes que estão associados à Frelimo e que pouco ou nada fizeram por Moçambique, por isso não reúnem consenso”.
A nossa fonte que serviu de porta-voz da oposição neste ponto, durante a Sessão sugeriu por exemplo, o nome de Ngungunhane que no seu entender tem sido marginalizado. “O conselho Municipal quer atribuir o nome deste grande lutador à actual Rua Marquês de Pombal, mas isto não pode acontecer dada a grandeza que representa Ngungunhane”,
Tembe disse que existem nomes de avenidas que não deviam ser sequer de ruas. “Existem nomes que foram atribuídos a avenidas, mas que na verdade deviam ser de ruas. Ngungunhane é símbolo de luta e vitória para nós. Muitas crianças não conhecem os seus feitos por isso a única forma de imortalizá-lo é atribuir o seu nome a uma avenida”, defende Tembe.
Apesar de alguns membros da AM manifestarem-se contra a atribuição de nome de Ngungunhane a uma rua ao invés de o mesmo merecer uma avenida, a comissão número oito da AM alega que o nome de Ngungunhane deve substituir o da rua Marquês de Pombal, pois, “foi por ali que Ngungunhane foi transportado até ao Porto para de seguida embarcar para terras lusas”.
Esta análise encontrou de imediato a oposição do JPC que referiu que a última estrada que Ngungunhane pisou no solo moçambicano foi a avenida Marginal. Deste modo, seria mais aconselhável que este nome fosse atribuído àquela avenida.
Eneas Comiche
O presidente do CMCM, Eneas Comiche reagindo a proposta do JPC falou nos seguintes termos: “essa proposta vai merecer a devida ponderação. O CMCM vai analisar e muito proximamente trará a esta magna assembleia a resposta”, afirmou o Edil da cidade capital do país.
( Jorge Matavel)