Maputo (Canalmoz) – O sector de Turismo está mergulhado num autêntico caos, denuncia Fenias Matlhombe, presidente da Federação de Hotelaria e Turismo de Moçambique, apontando “a construção das estâncias turísticas em lugares inapropriados e sem as respectivas licenças de autorização” como as principais faces desta organização.
Matlhombe referiu que os operadores privados têm preferências pelas zonas turísticas localizadas nas zonas costeiras, onde constroem estâncias turísticas em locais muito perto do limite das águas do mar, contrariando, desse modo, o regulamento sobre a conservação do meio ambiente.
Fenias Matlhombe revelou que num levantamento efectuado pela associação a que preside constatou-se que as praias da Ponta de Ouro (Maputo), Bilene (Gaza) e Vilanculos (Inhambane), todas na região sul do País, são onde se verifica mais violações das normas do sector turístico.
Perante a situação descrita, o presidente da Federação de Hotelaria e Turismo de Moçambique exortou o Governo a agir de modo a repor a ordem neste sector que é considerado chave na economia nacional.
“Os nossos operadores turísticos não percebem que a proibição de construções, de projectos, fora dos limites estabelecidos, para além ser para preservar o meio ambiente, é para garantir a segurança, a vida dos próprios hóspedes dessas estâncias, em caso de um dia haver enchentes de água acima de normal”. “Porém, tudo indica que eles fazem isso porque a sua preocupação é apenas pelo sucesso do seu negócio”, disse Matlhombe.
Regular a locação de terra para o turismo
Para o presidente da Federação de Hotelaria e Turismo, as construções ilegais ocorrem na maioria dos casos em conivência com as autoridades locais pelo que a responsabilidade desses actos irregulares recai também aos governos locais.
“Acontece que temos muita gente a autorizar o uso de terra em determinados lugares, desde os governadores, administradores, tanto como o sector de Geografia e Cadastro. É preciso haver controlo a quem disponibiliza a terra. O Governo deve incumbir uma entidade destinada a fazer trabalho de controlo das construções irregulares e ilegais”, sugeriu o presidente da Federação de Hotelaria e Turismo de Moçambique.
Operadores turísticos estimulam reassentamento informal da população
Uma outra preocupação para o sector de Turismo prende-se com o facto de persistência de casos de reassentamento informal das famílias retiradas dos locais onde são erguidos projectos turísticos. Segundo explicou o presidente da Federação de Hotelaria e Turismo de Moçambique, o facto é que quando os operadores adquirem certo espaço para iniciar seus projectos, eles indemnizam as famílias, e estas, muitas das vezes, não conseguem restabelecer novas residências, em outros locais, acabando por ficar sem casas dignas.
Matlhombe acredita que os governos locais de onde os projectos são desenvolvidos não se sentem com legitimidade de impedir a construção desses projectos, alegadamente porque os operadores desenvolvem algumas acções de carácter social que beneficia populações locais, mas ele entende que as acções de responsabilidade social em alusão, muitas vezes, não compensam as perdas das comunidades e do meio ambiente, resultantes da instalação dos projectos turísticos desorganizados.
(António Frades)