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DATA: 18/05/2012 |
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Fonte: BCI
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Em Maúa, província de Niassa
“Sete milhões” financiam esposas e familiares de membros da administração distrital
– denunciam populares ao chefe de Estado
Maputo (Canalmoz) – A população da localidade de Muapala, posto administrativo Muapala-sede, distrito de Maúa, província de Niassa, acusa os membros da administração do distrito de usarem o Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), os famosos “sete milhões” de meticais, para financiarem projectos de suas esposas e familiares, em detrimento da população. A denúncia foi feita durante um comício popular orientado pelo chefe de Estado, Armando Guebuza, que desde esta segunda-feira se encontra a visitar aquela província, no âmbito da “Presidência Aberta” a que mais recentemente se acrescentou o termo “Inclusiva”.
A população camponesa não está a ter acesso ao fundo, porque a sua distribuição está a seguir critérios estranhos. Ademais, sempre que os camponeses vão atrás do fundo, são obrigados a escreverem um projecto que, na maioria das vezes, não segue com rigor técnico, dado o nível de instrução dos camponeses não o permitir. Este aspecto não é levado em conta pelo Conselho Consultivo do distrito a quem compete apreciar e decidir com o administrador pelo que, entretanto, engavetam os projectos. Há gente que já escreveu mais de cinco projectos que ainda não foram aprovados.
Segundo denunciou a população durante o comício, são as esposas de gestores do fundo e seus familiares que têm estado a beneficiar. Em suma: o fundo dos famosos 7 milhões está a servir quem por princípio deveria estar nas funções para servir os cidadãos.
Na localidade de Maúa, com mais de 4 mil e quinhentos habitantes, não se vê nenhum projecto financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Distrital. Tal como acontece na maioria dos outros distritos, os “sete milhões” estão também a criar relações crispadas e de conflito latente entre a população e a administração do distrito de Maúa, nomeadamente na localidade de Muapala, posto administrativo de Maúa-sede.
Jacinto Arlindo Metarica, cidadão habitante de Maúa, disse, durante o comício dirigido por Armando Guebuza, que os jovens só ouvem falar dos “sete milhões”, mas em Maúa-sede nenhum deles, até hoje beneficiou.
Miraz Ali, outro cidadão local, queixou-se ao chefe de Estado do comportamento do Conselho Consultivo que delibera sobre os famosos “7 milhões”. Disse que ninguém das suas relações, incluindo ele, conseguiu beneficiar do fundo, se bem que todos os anos tenham feito e submetido projectos.
Miraz aconselhou o chefe de Estado a mandar rever os critérios de distribuição do fundo. Disse que o dinheiro não tinha de ser o mesmo para todos os distritos, mas, sim, deve-se ter em conta a densidade populacional dos distritos e o nível de reembolso.
O chefe de Estado, por seu turno, disse que ia se inteirar da situação para procurar soluções para o problema, mas aconselhou a população a se envolver mais na luta contra a pobreza e na consolidação da unidade nacional. (Matias Guente, nosso enviado a Niassa)

Jornal Semanário Nº 148 - 16/05/2012
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