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DATA: 18/05/2012

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Sob capa do Conselho de Ministros alargado

Guebuza volta a reunir Frelimo na Presidência da República

 

Maputo (Canalmoz) – A partir de hoje e até amanhã, o presidente da República, que é simultaneamente presidente do partido Frelimo, reúne membros do seu partido na Presidência da República, sob capa do Conselho de Ministros alargado. O encontro mobiliza diversos membros do partido no poder, incluindo primeiros secretários ao nível provincial e distrital.

Não é a primeira vez que este tipo de encontros partidários tem lugar e sempre sustentados por fundos do Estado. Desde que Guebuza chegou ao poder em 2005, já se organizou pelo menos dois encontros do género. O que antecedeu a este teve lugar em Setembro de 2010, também na Presidência da República. Outro já havia acontecido na vila de Namaacha em 2006.

Contrariamente ao que está previsto na Constituição da República, onde prevê-se uma reunião do Conselho de Ministros participada pelo presidente da República, ministros, vice-ministros e secretários do Estado, estas reuniões promovidas pelo chefe de Estado englobam os secretários do partido no poder, para além de directores provinciais, administradores distritais, presidente da OJM – braço juvenil da Frelimo e da OMM, braço feminino do mesmo partido. Aliás, o que une as pessoas que participam nestas reuniões é ser membro do partido no poder. Mistura-se o Estado Moçambicano com o Partido Frelimo.

Segundo apurou o Canalmoz de fontes do partido no poder, a reunião foi convocada com carácter de “urgência” e alguns ministros foram informados via SMS. A mesma fonte disse que a referida reunião terá como ponto principal a discussão sobre a situação socioeconómica do País.

Refira-se que depois das manifestações de 01 e 02 de Setembro do ano passado, provocadas por insatisfação generalizada, o Governo tomou certas medidas que não estão a surtir efeitos desejados. Aliás, uma das principais medidas foi a “cesta básica”, que depois viria a ser abortada após várias críticas.

A fonte diz não ter a agenda oficial, mas aventa também a possibilidade de a reunião vir a debater as últimas declarações públicas de Afonso Dhlakama, o líder do maior partido da oposição em Moçambique. Dhlakama anunciou estar a reorganizar os seus homens armados e respectivos quartéis para desalojar a Frelimo do poder. Essas declarações têm vindo a causar pânico no seio da Frelimo que, aliás, se tem desdobrado a nível dos serviços secretos para controlá-lo.

O semanário do Banco de Moçambique, DOMINGO, tidocomo o jornal da Frelimo, escrevia ontem em Editorial que “é necessário levar a sério Dhlakama”. Numa outra peça, não assinada, insinuava que o líder da Renamo está a ser apoiado por “algumas chancelarias ocidentais acreditadas no país e com envolvimento de alguns executivos e operacionais dos respectivos serviços secretos (alguns sob capa de diplomatas)”. (Redacção)