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DATA: 18/05/2012 |
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| Moeda | Compra | Venda |
| EUR | 33.96MT | 35.64MT |
| USD | 26.80MT | 27.34MT |
| ZAR | 3.18MT | 3.24MT |
Fonte: BCI
Morte do Atirador de Toulouse - Mohamed Merah
Editorial
Boas Festas volta a ser miragem para o “Maravilhoso Povo” moçambicano
Maputo (Canalmoz) – De acordo com o calendário romano, amanhã às 24 horas termina 2011. Domingo já é outro ano: 2012. Mais um ano se passou e mais uma vez “Boas Festas” não está a ser coisa para todos, nem sequer para a maioria.
Em 2011 continuámos a ver certos senhores “pendurados” no Estado a imputar nele os custos dos seus “projectos” e a sugar oportunidades beneficiando da informação privilegiada por estarem nos postos em que estão. Continuámos a vê-los a usarem o seu poder discricionário para se auto-beneficiarem. Continuámos a vê-los a abusar do Poder não entendendo que a paciência tem limites.
Em 2011 o Estado continuou a pagar pensões de reforma ridículas à maioria que trabalhou uma vida inteira e agora não ganha o suficiente nem para comer. Mas ao mesmo tempo continuámos a ver serem gastos milhões de dólares a renovar frotas automóveis com dinheiro do orçamento do Estado, a comprarem-se viaturas de grandes marcas e de último modelo enquanto se alega que o Estado não tem dinheiro para garantir água a quem nas zonas rurais e em muitas cidades e vilas continua sem ela.
Em 2011 o Estado continuou a não ser o supremo serviço aos cidadãos que todo o Estado deve ser.
Em 2011 o Estado continuou a ser a “machamba” de quem por ter estado em postos de relevo na luta pela Independência Nacional continua a crer que isso lhe dá direitos especiais eternos, como se Moçambique fosse só eles. Nem os outros milhares de combatentes que este ano protestaram exigindo mais consideração e respeito permitiu aos que continuam a julgar-se donos de Moçambique aperceberem-se da dimensão do abuso por que enveredaram.
Em 2011 vimos a Moeda nacional a fortalecer-se alegando o governador do Banco de Moçambique que se tratou de dinheiro que entrou de grandes investimentos para chamar os louros para si e seu elenco, mas não só esses grandes investimentos ainda não arrancaram a ponto de terem os impactos que se lhes atribui, como nunca nos últimos anos se viu tanta penúria e os comerciantes a queixarem-se tanto de falta de clientes e de negócio. Algo está errado. “A mentira tem pernas curtas”…
Em 2011 quem está no governo voltou a não cumprir promessas, e continuou a excluir social, política e economicamente os seus concidadãos.
Um País em que o Governo anuncia sucessos por todos os lados e diz que o País está a crescer; Um País que tem uma Moeda nacional forte como hoje se apresenta o Metical por inspiração do governador do Banco de Moçambique, pode alguma vez viver uma época Natalícia e Festas da Família como as que acabámos de assistir? Onde estão os tais “sucessos”? Será que existem? A existirem só podem estar nos bolsos de alguns. Na vida real não se vêem as melhorias de que fala o governo avaliando causa própria.
Alguma vez num País como o nosso, se estivéssemos bem como apregoa o Governo seria possível a única cervejeira nacional ficar com os armazéns cheios sem conseguir vender? Mesmo em anos em que todos admitíamos que estar melhor era impossível, estávamos, contudo, realmente muito melhor que neste fim d´ano. Quem está a enganar-nos estará no seu juízo perfeito?
Em 2011 os governantes e os parlamentares que ainda se julgam “com o rei na barriga”, ignorando até a Oposição como se ela não representasse ninguém, voltaram a não querer entender os sinais do Norte de África e do Médio Oriente.
Neste ano de 2011 que para uns foi um mar-de-rosas o País não esteve bem. É disso que se ouve toda a gente a comentar. A esmagadora maioria dos cidadãos está pronta para tudo para impedir que este estado de coisas continue.
Nenhum povo consegue viver de ilusões.
Enquanto se deliciam com a soma de participações em negócios e enquanto se banqueteiam com dinheiro alheio extorquido aos cofres do Estado montando leis com que fazem parecer legítimo aquilo de que usufruem, certas pessoas perdem de vista que no horizonte pode estar a formar-se um tufão.
Esperamos que no ano prestes a começar se tome consciência de que não basta ser elite. É preciso saber sê-lo. É preciso que se tenha nível para isso e não se seja ladrão.
É preciso ser-se elite que venha do trabalho, que crie riqueza, que não ande pendurada nos outros, que não ande pendurada no Estado.
Para que serve uma elite auto-intitulada como tal, em que ninguém reconhece mérito, predadora, sem visão, sem escrúpulos, parasita, oportunista, esbanjadora?
Uma elite que só fala mal dos expatriados embora cinicamente finja tolerá-los e amanhã vende o País a retalho aos piores que por cá aparecem pode alguma vez ser vista como uma elite na verdadeira acepção da palavra?
Alguém pode crer que sem a cumplicidade de autoridades ao mais alto nível a corrupção em Moçambique possa ter chegado a níveis tão escandalosos?
Alguém pode pensar que a imigração ilegal em Moçambique chegou onde chegou sem que as autoridades moçambicanas ao mais alto nível sejam cúmplices da invasão de gente de conduta duvidosa?
Não basta ser governante para se ser imediatamente reconhecido como competente. Não basta andar na estrada emproado à espera dos salamaleques e com sirenes. É preciso demonstrar competência. É preciso que lidem com a coisa pública com honestidade e transparência para que possam ser respeitados. É preciso que saibam, muitos que governam, que ser do governo não é ser dono do País. É ser funcionário do Estado que pertence ao Povo.
Os ministros têm de mostrar realizações e não conseguem mostrar obras. Continuam nos postos consoante os favores que fazem ao “grande líder”. São hoje avaliados pelos “trocos” e “oportunidades” que criam para quem tem a prerrogativa de os nomear e não pelos progressos que induzem no País.
Realizar obras que tenham impacto directo na vida do sector que dirigem deixou de ser a preocupação do Governo. Não se viram este ano consequências positivas do desempenho da maioria dos ministros na vida dos cidadãos.
Os ministros continuam viciados em governar com os olhos postos nos seus ‘bandulhos’ e no núcleo restrito de alguns dos seus “camaradas”. Já nem respeitam os seus “camaradas” por igual. A ganância assumiu proporções tais que até se começa a perceber que entraram na fase do salve-se quem puder. Têm de começar a perceber que um dia vai-se o pelouro e o Povo não lhes perdoará os abusos.
África e o Mundo estão cheios de exemplos de que quando chega o “Dia da Verdade”, os tais “heróis”, de um dia para o outro acabam exilados e com contas e bens confiscados, quando não são mortos pelos seus povos.
Veja-se como acabou Hosni Mubarack, no Egipto, e o Ben Ali, na Tunísia. Veja-se que destino tiveram as suas famílias.
Veja-se que destino teve o todo poderoso Kadhafi que até queria ser presidente de África.
Quantos exemplos são precisos para que se deixem de abusos? Acham que a brincadeira dura sempre?
Quando se está animado na festa estes exemplos ficam esquecidos. Mas é por isso mesmo que nesta época do ano, que deve ser de mais tolerância e até de perdão, quem ainda não percebeu que o Povo está atento deve reservar uns minutinhos para reflectir.
Todos fazemos falta a Moçambique. Mesmo os que já prevaricaram fazem falta, mas insistindo em esmagar os outros não se consegue a reconciliação de que o País tanto necessita.
Por isso fazemos votos que se arrumem as armas e se revejam os discursos para que 2012 possa ser um ano melhor de facto para todos os moçambicanos e todos aqueles que vivem aqui connosco.
As mesmas práticas, os mesmos maus hábitos indiciam cenários desagradáveis. Este ano não se passou de pequenas escaramuças e de demonstrações de força, mas nos bastidores as coisas só estão bem entre as altas patentes. A níveis subalternos o descontentamento existe como existe no Povo.
Com este nosso editorial gostaríamos de estar a contribuir para mudanças sérias de atitude da parte de quem governa.
Fazemos votos para que se deixem realmente de excessos e de pensar que as coisas estão bem porque isso não passa de ilusão.
Todos os moçambicanos estão ansiosos por poderem usufruir minimamente da riqueza do País, mas, infelizmente, o apregoado crescimento, a olhos vistos não está reflectido na qualidade de vida das pessoas. Já houve mais alegria neste País!
Por fim agradecer a todos por terem apoiado o Canalmoz – Diário Digital e o Canal de Moçambique – Semanário impresso, em 2011.
A todos, o que podemos oferecer é a garantia de que prosseguiremos em 2012 o nosso rumo em prole de uma cidadania crítica, proactiva e não servil. Há, afinal, muitas maneiras de amar Moçambique!
Com votos de muita Saúde e Próspero Ano Novo, despedimo-nos, com amizade.
Até 2012 que é já no próximo domingo.
Até à próxima edição, na terça-feira 03 de Janeiro, dado que dia 02 também será feriado em todo o País. Estaremos de volta a esta praça de diálogo e exercício da cidadania.
Com a colaboração dos que querem contribuir para que de “país falido” não cheguemos a “país falhado”, queremos continuar a servir-vos.
As nossas desculpas a quem involuntariamente ofendemos.
As nossas desculpas a quem possa ter sido vítima dos nossos erros.
Boas Festas a quem as pode ter. Feliz e Próspero Ano Novo com muita saúde para todos em que fazemos questão de incluir os expatriados e os que amam Moçambique como amam as suas pátrias.
Um Ano Novo feliz! (Canalmoz / Canal de Moçambique)

Jornal Semanário Nº 148 - 16/05/2012
No seu ardina habitual