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DATA: 18/05/2012

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Caso das detenções de apoiantes do MDM em Inhambane

PRM ignora procuradora-chefe e obedece a ordens da Frelimo

 

A procuradora Carolina Azarias acabou por fazer valer os seus galões e os dois jovens do MDM foram finalmente libertados pela Policia

 

 Edson Macuácua, porta-voz da Frelimo, contactado pelo Canalmoz, diz que o seu partido se distancia da atitude da Polícia 

 

Maputo (Canalmoz) – O secretário-geral (SG) do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) acusou ontem a Polícia da República de Moçambique de estar a mando da Frelimo quando decide manter detidos até ao fim da tarde de ontem dois apoiantes do Movimento Democrático de Moçambique sob a alegação de que andavam em pré-campanha eleitoral para as “intercalares” já marcadas para 18 de Abril pelo Conselho de Ministros.

Luís Boavida diz que “a Frelimo não olha a meios para continuar no poder” em Inhambane-céu. Ele diz também que a PRM só libertou os jovens depois de várias e insistentes diligências neste sentido que envolveram chamadas de atenção por uma procuradora de Inhambane junto da própria Frelimo.

A PRM, segundo Boavida chegou a recusar-se inicialmente a cumprir com a orientação do Ministério Público que ordenara a soltura daqueles por falta de matéria criminal.

“A PRM mostrou que está a cumprir ordens da Frelimo. Demonstrou o cúmulo, ao ter feito tábua rasa do mandato de soltura da Procuradoria Provincial da República em Inhambane. Chegou a querer ignorar um mandado da própria senhora procuradora a ordenar a libertação dos detidos”.

O SG do MDM contou que mesmo sabendo que não havia nenhuma matéria criminal que  incriminasse os seus correligionários a PRM afirmou que não os podia libertar, senão no dia seguinte a terem sido detidos. Foram necessárias várias diligências junto da procuradora-chefe provincial da República de Moçambique em Inhambane, Dra. Carolina Azarias.

Enquanto a PRM mantinha presos os jovens do MDM, a situação em Inhambane esteve tensa. Acabou por libertá-los na tarde de ontem.

A conversa do dia em Inhambane era essa por todas as esquinas. As chamadas telefónicas sucediam-se. A indignação crescia. Por todo o lado se dizia: “a Frelimo está à rasca”.

A opinião pública unanimemente considerava que a atitude da PRM visava desencorajar os munícipes e assustá-los para não embarcarem numa aventura a favor do MDM.

“Vamos-lhes dar uma lição semelhante à que acabam de apanhar em Quelimane”, era, entretanto o apelo que circulava em sms pelos telemóveis.

Os jovens que ainda andavam praticamente alheios ao processo eleitoral que se avizinha, andam agora eufóricos em Inhambane. Querem todos ser protagonistas de um momento que muitos já vêem como uma oportunidade. O que a PRM pretendia conseguir não resultou como era pretendido e acabou por ter um efeito oposto. Fez crescer um inesperado movimento de apoio ao MDM que entretanto ainda não anunciou o seu candidato.

Mudança é o termo que mais se houve agora na pacata cidade capital da província de Inhambane.

“Enquanto a Frelimo se move contra os simpatizantes do MDM, os munícipes de Inhambane estão apostados na mudança. Dizem abertamente que estão fartos do Governo da Frelimo que nada faz para melhorar a vida dos jovens formados”, diz o SG do MDM, Luís Boavida.

“Este episódio é apenas um aviso à navegação. Os munícipes de Inhambane estão convictos: querem mudança e nós não vamos deixar esmorecer as expectativas”.

“Neste terreno sempre trabalhámos forte mas discretamente. Iremos realizar, neste fim-de-semana, o nosso Conselho Nacional que vai decidir o que vai ser a nossa participação nestas eleições intercalares autárquicas”, afirmou Boavida.

Para trazermos a público a reacção da Frelimo sobre o comportamento da PRM, o Canalmoz contactou o seu secretário de Mobilização e Propaganda e porta-voz da FRELIMO, Edson Macuácuá. Ele começou por afirmar que o “batuque e maçaroca” se distancia dos acontecimentos em curso em Inhambane. “A Frelimo é pela democracia e nada tem a ver com a detenção dos nove membros do MDM”.

Questionado se a Frelimo condena a atitude policial, Mucuácuá foi peremptório: “Concerteza!”

Entretanto, rumores davam conta que a procuradora-chefe de Inhambane está preocupada com a situação, e pretende reunir-se com a Frelimo e a PRM para adverti-los a assumirem comportamento urbano.

Instada pelo Canalmoz a pronunciar-se sobre este assunto a Dra. Carolina Azarias foi lacónica: “Eu não tenho nenhuma informação a dar”.

Na quarta-feira a PRM deteve em Inhambane-céu, nove militantes do MDM sob a alegação de que andavam em campanha eleitoral no bazar central. Sete foram libertados pouco tempo depois de encaminhados à 1.a Esquadra, mas dois foram obrigados a pernoitar nas celas da PRM. Só foram libertados ontem depois de várias diligências com que o MDM conseguiu provar a ilegalidade praticada pela PRM. Esses dois foram detidos por trajarem camisetas do MDM. (Adelino Timóteo)