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DATA: 18/05/2012

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Nas Zonas Verdes de Maputo

Depois das inundações vem a fome

 

Maputo (Canalmoz) – Cerca de 75 hectares de culturas pertencentes a mais de mil camponeses ao longo do vale do Infulene, vulgo “Mulauzo” ou “Zonas Verdes de Maputo”, no Município da Matola, estão submersas desde a semana passada, devido às chuvas associadas à incapacidade das valas de escoar as águas das chuvas para o rio.

“No vale do Infulene há cerca de 75 hectares alagados. A solução passa por limpeza da vala. Segunda-feira estivemos a trabalhar nas comportas próximas da Fábrica de Cervejas 2M onde há concertação de capim”, disse Júlio Mahumane, chefe do Posto Administrativo de Infulene.

Com a destruição das culturas das quais dependem os seus produtores, já se pode prever a fome depois das inundações.

Segundo Mahumane, o Conselho Municipal da Matola já havia disponibilizado 350 mil meticais para a Associação dos Agricultores das Zonas Verdes, através do fundo de combate à pobreza urbana para aumentar a produção, “mas tudo a água levou”.

“Este ano os camponeses perderam milho, amendoim, alface, couve”, disse Mahumane.

 

Mercados

 

Júlio Mahumane disse que a maior parte dos mercados de Maputo e Matola é abastecido por produtos frescos produzidos no vale de Infulene, e durante dois dias, na semana passada, os mercados estremeceram.

“Os efeitos das enxurradas fizeram-se sentir um pouco. Logo tratámos de abrir valetas para o escoamento das águas”, disse.

 

Camponeses

 

Camponeses do sector familiar no vale do Mulauzo, manifestaram-se preocupados por terem perdido culturas devido às chuvas, pedindo apoio em insumos agrícolas para salvar a campanha.

“A chuva parou e nós não temos mãos a medir. Precisamos de sementes para fazermos viveiros. Daqui a dois meses podemos estar estabilizados. É com dinheiro de lucros das machambas que ajudamos nas despesas de casa aos nossos maridos. Temos filhos que estudam e entramos e despesas da escola”, disse Augusta Matsolo, agricultora na vala do Mulauzo.

Celeste Hunguana, agricultora, queixou-se da situação de falta de pontinhas em Drive-In e Molombela, Mafureira e outras que estivessem em condições as águas de chuvas iriam correr sem problemas.

“A falta de pontinhas criam-nos problemas. Além de crescimento de capim que retém as águas quando chove, cria oportunismo de pessoas que cobram 5 meticais para fazer atravessar pessoas. Uns usam “tchovas” e outros usam colo. Fazem brincadeiras para dificultar a passagem de água”, explica. (Cláudio Saúte)