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DATA: 18/05/2012

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“Zoo” entregue à sua sorte

Jardim zoológico vira abrigo de malfeitores

 

Animais como leões, impalas, hienas, ursos, elefantes, girafas, entre outros, morreram por falta de comida e assistência adequada

 

Maputo (Canalmoz) – A vedação está destruída, nas traseiras do Jardim Zoológico, e na área outrora reservada ao cemitério dos animais cresce um matagal. Tudo isso abriu espaço para os malfeitores se esconderem e assaltarem os que pretendem visitar o jardim, mas também para os residentes do bairro de Inhagoia “B”, que têm o zoológico como um corta-mato, alcançarem a Estrada Nacional Número Um.

A Reportagem do Canalmoz escalou o zoológico na semana passada e testemunhou o cenário desolador. Existe meia dúzia de animais a que nem se presta cuidados. As infra-estruturas degradadas são vistas em quase todas as esquinas.

Quase tudo desapareceu. Até no cemitério onde eram enterrados os animais, as campas foram vandalizadas e o mármore foi saqueado. Daquele local restam apenas marcas daquilo que um dia foi um espaço de diversão, como, por exemplo, o campo de futebol de salão onde o casal Zaida e Carlos Lhongo, aos domingos, promoviam espectáculos gratuitos.

Para além da acentuada degradação das infra-estruturas, assiste-se à ocupação ilegal de cerca de 30 hectares da área de reserva natural. Nasceram casas de cidadãos moçambicanos por detrás do jardim e ao longo da Avenida Joaquim Chissano.

Os arames das jaulas e cercas são levados para fazer carrinhos de arame pelos miúdos que vivem nas redondezas. Os pais levam os arames para concertar os seus quintais, casas de banho, capoeiras e cozinhas.

 

Visitas

 

As poucas pessoas que ainda vão ao jardim zoológico de Maputo são atraídas pelas sombras e frescura das frondosas árvores. Outros vão para estudar e outros ainda para namorar. Animais para ver praticamente já não existem. São muito poucos e estão mal alimentados.

Além da degradação, juntam-se às péssimas condições de tratamento dos animais, ausência de limpeza. Estes factos foram constatados pelo Canalmoz naquele recinto.

“O jardim não está vedado na parte traseira. Cada um entra como bem entende. Indivíduos estranhos colocam em perigo as nossas vidas e das nossas crianças. Por estas alturas vão à procura de mafurra, goiabas e outras frutas”, conta uma vizinha do jardim.

 

“João e Maria”

 

Estes eram os nomes pelos quais eram chamados o chimpanzé “João” e sua fêmea, “Maria”. “Antes de Maria morrer e do João ser transferido para a África do Sul, era o espectáculo mais apetecível que se podia ver, viver e sentir.

“João” ficou célebre, pois era o animal que sempre ultrapassava as expectativas dos visitantes, pela sua dança e forma superior de estar. “Era o animal mais civilizado e sábio de todos”. “Pedia banana, cigarros, laranjas e até bebia. Depois de se deliciar, fazia o retorno com uma dança e saltos espectaculares que enchiam de alegria os visitantes.

 

Hipopótamo

 

O hipopótamo, o animal mais velho da casa, diz-se que não goza de boa saúde. Informações colhidas nos corredores do jardim indicam que há já muito tempo que não é visto pelo veterinário que toma conta dos poucos animais que restam.

O hipopótamo tem sorte porque vive de capim. Mas está só, entregue à sua solidão. Come capim e bebe água da sua jaula. Ainda resiste e apesar das fracas visitas, continua bem disposto e gordinho.

 

O que resta

 

Apesar de tudo, ainda existem no Jardim Zoológico: crocodilos, cobras, macacos (cinzento e cão), jibóias, hipopótamo e algumas aves. O Jardim Zoológico de Maputo foi fundado pela Associação do Jardim Zoológico de Moçambique (AJZM), em 1929. Antigamente, chegou a ter 170 trabalhadores, mas actualmente só restam 30. Abrangendo uma área de “Zoo” e de reserva natural de mais de 70 hectares no conjunto, chegou a dispor de uma ampla e representativa variedade de espécies de mamíferos, répteis e pássaros, bem como de flora, constituindo um verdadeiro pulmão verde da cidade.

 

Associação do Jardim

 

O presidente da Associação do Jardim Zoológico de Moçambique, Daúde Carimo, disse sexta-feira última numa breve conversa com o Canalmoz que há um plano-director dentro dos próximos dois anos para a reabilitação, modernização e repovoamento do jardim zoológico.

Explicou que a reabilitação vai transformar o jardim num espaço educativo, de reserva de animais de pequeno porte do país, de África e de outras regiões do mundo.

Para a modernização do Jardim Zoológico, a associação contará com o apoio de especialistas de Joanesburgo e Pretória (África do Sul), sobretudo no domínio de formação de tratadores, assistência e saúde dos animais.

“Elaboramos um plano-director em que já estamos a avançar com a reabilitação da parte do jardim, que será concluída nos dois próximos anos e acreditamos que num futuro próximo conseguiremos modernizar e ampliar o espaço, adequando-o aos padrões internacionais exigidos”, disse.

Entretanto ao abrigo da convenção internacional, a colocação de animais em cativeiro pressupõe a criação de espaço para a sua movimentação, o que não é o caso do Jardim Zoológico do Maputo, cujas dimensões já não correspondem ao recomendado. (Cláudio Saúte)