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DATA: 17/05/2013 |
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Fonte: BCI - 07h13
Fuzileiros navais reforçam segurança nas embaixadas dos EUA
- Leia aqui na íntegra a mensagem da Secretária do Estado norte-americano, Hillary Clinton, que foi enviada ao Canalmoz

Maputo (Canalmoz) - Depois do assassinato do embaixador norte-americano na Líbia, Chris Steven, perpetrada por radicais islamitas, os ataques contra representações diplomáticas dos Estados Unidos da América em países de convicções islâmicas continuam. Depois da Líbia, a violência contra americanos chegou ao Egipto, Iémen, Sudão. A administração do presidente Obama desdobrou-se em tentativas diplomáticas para evitar o escalar da violência, mas sem resultados desejados, começou a enviar fuzileiros navais para reforçar segurança nas suas embaixadas em países islâmicos.
Citado por diversas agências de notícias, o presidente Barack Obama afirmou, sábado passado, não haver mais tolerância para a violência que os protestos islâmicos têm levado para as ruas e afectado as embaixadas do país norte-americano no mundo árabe.
“Já deixei claro que os Estados Unidos têm um profundo respeito por pessoas de todas as religiões, no entanto, nunca há qualquer justificação para a violência. Não há desculpa para ataques contra as nossas embaixadas” afirmou Obama citado em diversos medias internacionais.
Face ao escalar da violência, o Pentágono - Departamento da Defesa dos EUA - iniciou o envio de fuzileiros navais para reforçar a segurança na embaixada dos Estados Unidos no Sudão, após reforços semelhantes na Líbia e no Iémen.
A violência que nasceu de um vídeo
Tudo começou com a exibição de um filme sobre o profeta Maomé, que provocou a ira dos muçulmanos e que redundou nos ataques a missões diplomáticas norte-americanas.
Segundo a Associated Press (AP), o realizador do vídeo chama-se Sam Bacile, foi citado por esta agência a confirmar a autoria do vídeo e disse não estar arrependido pelo acto. O filme é intitulado “Inocência dos Muçulmanos”. Mostra o profeta Maomé como uma “fraude” e representa a sua cara, algo proibido pelo islamismo.
À AP, Sam Bacile disse via telefone que o Islão “é um cancro” e que o seu filme é uma declaração contra a condenação da religião.
Bacile, que se identifica como judeu israelita, afirmou que o filme vai ajudar Israel, ao expor as falhas do Islão ao mundo. A produção do filme, de duas horas, foi financiada com donativos de mais de 100 judeus, segundo disse Bacile.
Morte do embaixador
Na terça-feira da semana passada, dia 11 de Setembro de 2012 (data que se assinalou a passagem de 11 anos após os ataques de 11 de Setembro a de 2001, a World Trade Centre e ao Pentágono), o embaixador dos EUA na Líbia, Chris Steven, foi morto juntamente com outras três pessoas, resultado de um ataque que ocorreu à noite no consulado em Benghazi.
A América reagiu recorrendo a mecanismos diplomáticos para parar com a violência, mas face à continuidade dos ataques acabou decidindo mandar forças navais para garantir segurança.
Logo após o ataque que culminou com os assassinatos, a Líbia pediu desculpas e presidente Obama, em conferência de imprensa, garantiu que “será feita justiça” e que Washington trabalhará “juntamente com as autoridades líbias” para deter os responsáveis pelo ataque.
“Embaixador morto na cidade que ajudou libertar”
O Presidente americano lamentou a morte de Chris Steven, afirmando que o embaixador americano “morreu numa cidade que ajudou a libertar”.
“Onze anos depois dos atentados de 11 de Setembro, a nossa liberdade só existe porque há pessoas que estão disponíveis para lutar por ela. Nenhum acto de terror irá eclipsar os valores que defendemos”, disse presidente Obama.
Recorde-se que Benghazi foi a cidade bastião da revolução líbia, que depôs o ditador Muammar Khadaffi e contou com apoio dos EUA, Reino Unido, França, entre outras potencias ocidentais.
“O governo dos Estados Unidos não tem envolvimento absolutamente nenhum com este vídeo”
- Afirma Hillary Clinton em discurso enviado ao Canalmoz
A propósito desta violência contra os EUA, a secretária do Estado norte-americano, Hillary Cliton difundiu uma mensagem onde explica a posição norte-americana nesta violência e distancia o Governo dos EUA com o vídeo que originou a violência. A mensagem foi enviada ao Canalmoz a partir da embaixada americana em Maputo e reproduzimo-la na íntegra.
“Estamos a seguir com muita atenção o que se está a passar no Iémen e outros locais, e certamente esperamos que sejam tomados passos para evitar a violência e prevenir a escalada de protestos para situações de violência.
Quero também aproveitar este momento para falar sobre o vídeo que circula na internet e que levou a estes protestos em vários países. Quero deixar muito claro – e espero que seja óbvio – que o Governo dos Estados Unidos não tem envolvimento absolutamente nenhum com este vídeo. Rejeitamos absolutamente o seu conteúdo e mensagem. O compromisso da América para com a tolerância religiosa tem raízes no próprio início da nossa nação. E como sabem, vivem no nosso país pessoas de todas as religiões, tendo muitas delas ido para os Estados Unidos procurando o direito de exercerem a sua própria religião, incluindo, claro, milhões de muçulmanos. E temos o maior respeito por pessoas de todas as fés.
Para nós, e para mim pessoalmente, este vídeo é repugnante e repreensível. Parece ter um objectivo profundamente cínico: denegrir uma grande religião e provocar a fúria. Mas como afirmei ontem, não existe nenhuma justificação, nenhuma mesmo, para responder a este vídeo com violência. Condenamos a violência resultante nos termos mais fortes, e apreciamos profundamente o facto de que muitos muçulmanos nos Estados Unidos e por todo o mundo se pronunciaram sobre este assunto.
Acreditamos que a violência não tem lugar na religião, e que não é uma forma digna de honrar a religião. O Islão, assim como outras religiões, respeita a dignidade fundamental dos seres humanos, e um ataque a pessoas inocentes é uma violação dessa dignidade fundamental. Enquanto existirem aqueles dispostos a derramar sangue em nome da religião, em nome de Deus, o mundo jamais conhecerá uma paz verdadeira e duradoura. É especialmente errado que a violência seja dirigida contra missões diplomáticas. São locais cujo objectivo é pacífico: a promoção de um melhor entendimento entre países e culturas. Todos os governos têm a responsabilidade de proteger esses espaços e essas pessoas, porque atacar uma Embaixada é atacar a ideia de que podemos trabalhar em conjunto para fomentar o entendimento e construir um futuro melhor.
Sei que é difícil para algumas pessoas compreenderem porque é que os Estados Unidos não podem impedir, ou simplesmente não impedem que este tipo de vídeos repreensíveis chegue a ver a luz do dia. Quero salientar que nos dias de hoje, com as tecnologias disponíveis, isso é impossível. Mas mesmo se fosse possível, o nosso país tem uma longa tradição de liberdade de expressão que está consagrada na nossa Constituição e na nossa lei, e não impedimos os cidadãos individuais de expressarem os seus pontos de vista, independentemente de quão desagradáveis eles são.
Claro que existem outros pontos de vista espalhados pelo mundo sobre os limites da liberdade de expressão, mas não deve existir qualquer debate sobre o princípio simples de que a violência em resultado do discurso não é aceitável. Todos nós – sejamos líderes no governo, líderes na sociedade civil ou líderes religiosos – devemos traçar um limite quando se trata de violência. E qualquer líder responsável deveria agora levantar-se e traçar esse limite. (Redacção)

Jornal Semanário Nº 200 - 15/05/2013
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