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DATA: 17/05/2013

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Fonte: BCI - 07h13

 

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  Devido ao corte de apoio internacional  

Comprometidas metas de redução de novas infecções pelo vírus de HIV/SIDA

 

Assume Alexandre Manguele, ministro da Saúde

 

Maputo (Canalmoz) – A retirada do apoio dos parceiros internacionais, recentemente anunciada, para acções de combate ao HIV/SIDA, impedirá Moçambique de atingir os objectivos de redução das infecções pelo vírus de HIV/SIDA, estimados em 80%. Actualmente apenas foram atingidos 40% dos objectivos da redução de novas infecções, segundo dados do Ministério da Saúde.

Actualmente Moçambique regista 400 novas infecções diárias, com um índice de prevalência de 11,5 por cento.

Falando à Imprensa, altura em que o Governo anunciava a desistência dos parceiros internacionais, esta terça-feira Alexandre Manguele, ministro da Saúde, reconheceu que o país conhecerá dias difíceis nos programas de combate ao HIV/SIDA, situação que poderá vir a influenciar o aumento de números de infecções pelo vírus de HIV/SIDA no país. No entanto, visivelmente preocupado com isso, Manguele apelou para a necessidade de responsabilidade individual da população moçambicana na luta contra o HIV/SIDA, sobretudo em acções de prevenção contra este vírus. “Encontramo-nos numa situação de fragilidade devido à saída dos apoios dos doadores. Agora já não vale a pena as pessoas pensarem em melhores tratamentos. O que está em jogo é saber gerir os poucos medicamentos que o Governo possa conseguir adquirir”, referiu o ministro da Saúde.

Manguele alertou para a necessidade de todas as unidades de combate ao HIV/SIDA no país redobrarem esforços.

Mesmo sem revelar números, o ministro da Saúde, Alexandre Manguele, disse que o montante a ser injectado pelo Governo dependerá da aprovação pela Assembleia da República, mas garantiu que tudo será feito no sentido de garantir a continuidade das actividades daquela instituição.

 

CNCS duvida do apoio do Governo

 

Segundo foi anunciado recentemente, os doadores cortaram 17 milhões de dólares ao Conselho Nacional de Combate ao Sida (CNCS), numa altura em que a globalidade dos seus programas estava orçada em cerca de 16 milhões de dólares. Actualmente, o CNCS dispõe de cerca de três (3) milhões de dólares que lhe garantirá o funcionamento a partir do próximo ano, altura em que o Governo se prontificou a custear as despesas deste órgão. No entanto, o Estado moçambicano deverá, a partir do próximo ano, através do orçamento do Estado, assumir todas as despesas do funcionamento do CNCS, uma vez que os doadores internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Comum, retiraram o seu apoio àquela organização. Mas o Governo não sabe ao certo o orçamento que deverá alocar para o  CNCS. No entanto, preocupado com essa situação, sobretudo em relação ao défice orçamental do Estado, Joana Mangueira, secretária executiva do CNCS, disse que duvida que os fundos que serão alocados pelo Governo consigam realmente corresponder às exigências e necessidades dos programas de combate ao HIV/SIDA, tal como conseguiam quando usavam fundos directos disponibilizados pelos seus parceiros internacionais.

“Reconhecemos que o Governo está preocupado com essa situação. Mas é sabido que há défice do orçamento do Estado. No entanto, esperamos que mesmo com pouco orçamento possamos conseguir, no mínimo, reduzir a infecção pelo vírus de HIV/SIDA nos principais focos de infecção e, sobretudo, na população com comportamento de risco”, explicou a directora do CNCS.

 

Corrupção “versus” retirada de apoio

 

Várias questões levantam-se sobre os motivos da retirada dos parceiros no apoio aos programas de combate ao HIV/SIDA, através do CNCS. No entanto, questionado pela Imprensa sobre isso, Joana Mangueira, secretária executiva do Conselho Nacional de Combate ao Sida, garantiu que a retirada dos parceiros no apoio ao funcionamento do CNCS não tem nada a ver com problemas de gestão. Segundo a fonte, os parceiros alegaram a crise financeira como estando por detrás da sua retirada do apoio.

“Desde a nossa criação em 2000, o CNCS nunca teve problemas de gestão e, aliás, sempre teve boas relações com os nossos parceiros, que até foram sempre generosos connosco, mesmo na situação em que o país se encontra”, explicou a fonte.

Refira-se que, de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Manguele, actualmente a taxa de infecção pelo HIV em Moçambique está avaliada em cerca de 400 novas infecções diárias, com um índice de prevalência de 11,5 por cento. (António Frades)