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DATA: 27/02/2014

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  Confrontos entre a Renamo e FIR  

Muxungue em pé de guerra 

 

Há informação de fontes hospitalares que indicam haver quatro agentes da Polícia mortos 13 agentes da polícia feridos e uma senhora civil ferida. Todos deram entrada no hospital local, segundo fontes hospitalares não autorizadas a falar a Imprensa

 

No hospital local a reportagem do Canalmoz viu na sala de tratamentos oito agentes da Polícia fardados que estão a receber tratamento com sinais de ferimentos graves. Entrevistados, disseram que foram atacados pela Renamo.

 

Na vila, a população está a abandonar em debandada as suas residências. Não há comércio nem outra actividade desde ontem. As escolas estão fechadas. 

 

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Muxungue (Canalmoz) – Um ataque conduzido pelos agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR) à sede da Renamo no posto administrativo de Muxungue, distrito de Chibabava, em Sofala, está a degenerar em situação de conflito armado. Desde a madrugada de ontem (quarta-feira) que a FIR atacou a sede da Renamo onde alega-se que estavam reunidas dezenas de pessoas, a vida em Muxungue deixou de ser normal.

A Reportagem do Canalmoz estacionada em Muxungue descreve a realidade no terreno que é caracterizada por medo, boatos e falta de informação oficial por parte das autoridades. As autoridades não falam. Por exemplo, no hospital local onde estão a ser assistidos agentes da Polícia feridos, esta manhã de quinta-feira esteve a equipa do Canalmoz que foi recomendada a contactar o administrador distrital para qualquer informação que queira apurar.

Sem informação oficial, só se houve o que contam as populações locais, os que ainda estão na vila, pois a maioria já abandonou as suas casas em busca de refúgios em locais seguros. 

Há também versão não conformada de que os polícias feridos e mortos foram vítimas de tiros da própria corporação, mas até aqui tudo não passa de suposições. A verdade custa apurar pois neste momento Muxungue está sitiado. Andar pela pequena cidade é perigo eminente de ser atingido pelos tiros.

 Ataque de quarta-feira

O que a população diz ter acontecido é que agentes da Força de Intervenção Rápida atacaram nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira a sede da Renamo no bairro de Mutongoti onde encontravam se membros do partido. A FIR entrou a disparar para matar sem razão aparente tendo inclusive morto uma senhora que nem era membro da

Renamo mas que se encontrava nas imediações.

Cerca de oito pessoas contraíram ferimentos graves sendo que parte delas foi transferida para o Hospital Central da Beira, na Capital de Sofala. Segundo relatos há mais de uma dezena de membros da Renamo detidos pela polícia. Todas as pessoas que falaram para o Canalmoz estão convictas de que “foi um ataque da FIR a homens civis que sempre trabalharam na sede da Renamo. A população diz que é a FIR que começou com a violência.

Segundo contaram ao Canalmoz as fontes, há dias que a FIR chegou em Muxungue e “está a semear medo e terror”. “Pessoas são violentamente espancadas por falta de Bilhetes de Identidade. Até arrancam dinheiro e bens das pessoas” contou-nos uma jovem que trabalha numa das inúmeras barracas da pequena, mas movimentada cidade localizada junto a Estrada Nacional Número 1 (N1).

 

Ambiente de guerra

 

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Depois do ataque da FIR instalou-se um verdadeiro ambiente de zona de combate na vila do Muxungue. Os habitantes da vila estão desesperadamente a deixar seus bens fugindo para Chibabava, sede do distrito. Durante todo o dia ontem, quarta-feira, não havia corrente eléctrica e as redes de telefonia móvel eram constantemente interrompidas em Muxungue. As comunicações foram restabelecidas durante a noite de ontem. Muxungue está irreconhecível. Os camionistas não estacionam na vila por causa do medo de serem alvejados.

A reportagem do Canalmoz está no terreno e testemunhou a transformação quase que repentina da movimentada vila de Muxungue numa vila fantasma. Quase todos os estabelecimentos nocturnos fecharam durante a noite. Até as bombas da BP que ali funcionam tiveram que fechar mais cedo.

“A população está com medo da FIR” disse-nos um funcionário da BP que se encontrava a encerrar as bombas a recusar abastecer viaturas.

O Canalmoz conversou com um professor da Escola Primária Completa de Mucolocoche onde estudam mais de 600 alunos e confirmou-nos que ninguém foi à escol na quarta-feira. As pessoas estão aterrorizadas com a acção da FIR que segundo contam-nos terá a resposta violenta da Renamo. 

 

Situação na quinta-feira

 

Pela madrugada da quinta-feira voltou a se ouvir tiros na pequena cidade. A partir de 3h40 minutos ouviam-se disparos de armas de guerra, pesadas e ligeiras. Os disparos pararam cerca de 4 horas.

 

Mortos e feridos no hospital

 

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A reportagem do Canalmoz deslocou-se ao hospital local onde apurou de fontes hospitalares terem dado entrada quatro mortos e 13 feridos, todos agentes da FIR. Imagens captadas pelo Canalmoz no local mostram feridos em tratamento na unidade sanitária.

Ninguém sabe como os polícias teriam sido alvejados. Ninguém fala de ataque da Renamo, mas a verdade é que há estes mortos e feridos. Os polícias feridos em tratamento disseram que foram atacados pela Renamo.

 

 “É tudo mentira”

 

Contactado o inspector da Polícia e porta-voz do Comando Geral da polícia Pedro Cossa, disse que não houve nenhum ataque em Muxungue. “Isso é mentira. Esses teus colegas que estão em Muxungue estão a mentir”, disse Pedro Cossa. Mesmo após informa-lo que o Canalmoz dispõe de imagens que retratam a situação, Pedro Cossa insistiu que é “tudo mentitra”.

“Se o senhor telefonou para mim para saber a verdade, diga que isso é mentira”, disse e desligou o telemóvel. 

 

Versão da Renamo

 

Contactado o General da Renamo que está em Maputo, Hermínio Morais, disse que da parte do seu partido não houve ordens para atacar a polícia, nem para ripostar o ataque da FIR. 

Desconhece-se como os polícias estão feridos e outros mortos. 

 

Camião carregado de gás

 

Um camião carregado de gás que pernoitou nas bombas da BP em Muxungue é dado como perigo eminente. O seu condutor disse ao Canalmoz que em caso de ser atingido por um disparo de arma de fogo, a carga pode explodir e queimar tudo ao redor num raio de 5 quilómetros.

Entretanto, o tráfego até as 7 horas de hoje, quinta-feira continuava na N1 em Muxingue, nos dois sentidos norte e sul, mas a qualquer momento pode ser cortado dado o medo que se vive na pequena vila. (Fernando Veloso e Luciano da Conceição, em Muxungue)

(NR: Notícia em actualização em www.canalmoz.co.mz)